Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Fechamento tardio de esterno: estratégia cirúrgica em pacientes com cardiopatias congênitas

João Bruno Dias Silveira, Aida Luiza Ribeiro Turquetto, Luciana Patrick Amato, Marcella Bezerra Richtmann, Yarla Alves dos Santos, Rafael Ceconi, Tatiana Alves da Silva, Luiz Fernando Canêo, Fabio Biscegli Jatene, Marcelo Biscegli Jatene
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: O fechamento tardio de esterno (FTE) é um procedimento comumente utilizado para melhor estabilização hemodinâmica após correção cirúrgica de pacientes com cardiopatias congênitas.

Objetivo: avaliar o perfil dos pacientes com FTE após correção cirúrgica de cardiopatias congênitas e sua associação com a morbimortalidade. Método: De Agosto de 2014 a Julho de 2017, 1728 cirurgias cardíacas foram realizadas em pacientes portadores de cardiopatias congênitas em um único centro de atenção terciária. Foram analisadas características pré, intra e pós-operatórias e suas associações com o FTE. Análise de regressão logística foi realizada para identificar os fatores de risco para morbimortalidade associada à esta estratégia cirúrgica.

Resultados: A mediana de idade e peso dos pacientes estudados foram de 1,3 anos (0,4-9,7) e 8,6 Kg (4,8-28) respectivamente, sendo que 50,5% eram do sexo masculino. A mortalidade geral do grupo foi de 12,4% (214 pacientes) e a ocorrência de infecções (pneumonia, sepses e/ou infecção de ferida operatória) foi de 11,3% (195 pacientes).  A estratégia de FTE foi realizada em 229 pacientes, 75,1% abaixo de 1 ano de idade e a distribuição pela complexidade segundo RACHS-1 foi de: Categoria-1 (2,7%), Categoria-2 (15,5%),  Categoria-3 (40%),  Categoria-4 (28,6%) e Categoria-5/6 (13,2% ). Quanto a distribuição por grupo diagnóstico, as maiores proporções ocorreram nos defeitos septais (21%), nos corações univentriculares (16,6%), nas lesões do lado direito do coração (15,1%) e nas lesões do lado esquerdo (14,4%). A mediana de tempo de manutenção com tórax aberto foi de 4 dias (2-6). A estratégia de FTE foi planejada em 129 pacientes e não planejada em 100 casos. Os motivos para uma estratégia não planejada foram: disfunção ventricular, sangramento, dificuldade em manter saturação de oxigênio nos níveis desejados  ou hipertensão pulmonar durante o procedimento cirúrgico. Comparando os óbitos entre os grupos com estratégia planejada e não planejada, observamos aumento dos casos no grupo estratégia não planejada (47 vs 24  p<0,001). O FTE aumentou o risco de infecção em 2,94 vezes (IC 1,43-2,97 p<0,001). Quanto ao tipo de infecção, houve aumento do risco de sepses em 2,73 vezes (IC 1,63-4,58 p<0,001), porém não houve aumento do risco de pneumonia (p=0,07)  ou infecção de ferida operatória (p=0,481) nos pacientes com FTE.

Conclusão: O FTE pode ser considerado como uma estratégia efetiva no tratamento cirúrgico de pacientes com cardiopatias congênitas. Para o desfecho mortalidade, quando realizado de maneira planejada mostrou-se superior a estratégia não planejada. Em relação a morbidade, o FTE aumentou o risco de sepses, porém não houve relação com infecção por pneumonia e/ou de ferida operatória.

Realização e Secretaria Executiva

SOCESP

Organização Científica

SD Eventos

Agência Web

Inteligência Web
SOCESP

XXXIX Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

31 de maio a 02 de junho de 2018
Transamerica Expo Center | São Paulo - Brasil